quarta-feira, 13 de julho de 2011

Trocadilhando teagem


Tanto tempo
tintando tela,
travando teorias,
tabelando tédio
toma-se tombos,
tornam-se tufões,
teatrando trêmula tulipa
titubeava trocar teia:
trabalhando, testando, tinindo...
tudo tinha toque tênue
teu tanto tempo tropeçou
travou...
transpareceu...
tocou...
tornou turbilhão-tulipas.

Karol Guedes


sábado, 2 de abril de 2011

Rabiscos opacos


O desejo do não-achado
que cortara o fio
em padrão rabiscado
pintou tinta o opaco
ultrapassou o papel
arrancou o pesado
o que restou foi a mancha
da tinta
da arte
do padrão
do fio
do corte
rabiscado

Karol Guedes.

segunda-feira, 14 de março de 2011

E quanto às intermináveis dúvidas in(conscientemente) reveladoras de nós mesmos em in(sensatez)?



E quanto à falta de amor?
E quanto ao medo?
E quando o medo do medo torna-se maior do que o último?
E quanto às intermináveis dúvidas in(conscientemente) reveladoras de nós mesmos em in(sensatez)?
Diga-me: Quão longa é a noite?
Quão longa é a sua noite?
E quanto ao tempo?
E quando o tempo é dominado(r)?

"Quanto mais se procurava aproximar-se do problema, maior se tornava a noite..." - A filosofia na época trágica dos gregos.

Há dias desejava pôr em sistema prático o que controlara as interrogativas acima...
Poupei.
Mais uma vez, o tempo era o dominador, porém, controlado (paradoxalmente).

Quando acreditamos em algo com toda nossa força, queremos ir até o fim. (Primeiro exemplo em mente: o amor!)

Voltando acima... E quando há falta de amor?

É seguro e revoltante quando percebemos essa falta no próximo.
Mas, pense: E quando há falta de amor da nossa parte?
A primeira menção de pensamento é acerca do enfraquecimento daquilo em que acreditamos.
Entretanto, a segunda menção (melhor refletida) é acerca do seu fortalecimento!
Constatamos que, de fato, o amor é tão palpável que podemos percebê-lo empírica e detalhadamente. Fortalece pelo fato de ser real, não utópico. Verdadeiro, não artificial. Empírico, não suposto.

O medo do medo traz à tona a capacidade de almejarmos o bom procedimento daquilo em que acreditamos. O tempo é o sujeito sem culpas, sem pressa, vai na valsa... Nele há momentos para tudo (inclusive nada).
O tempo é sem dono, mas possivelmente controlado, quando atribuimos a algo o valor primordial cujo tempo é sutilmente desenhado e desvendado.
Cuidado! Não deixe o tempo te controlar! Controle na mesma medida: vai na valsa...

As intermináveis dúvidas in(conscientemente) reveladoras de nós mesmos em in(sensatez) são as principais chances de te guiarem para a razão que a irracionalidade desconhece, pois, como já dizia o sábio Salomão "Tudo é vaidade!"
Sabe-se o certo, mas tudo é vaidade!
Deseja-se o certo, mas tudo é vaidade!
A luta constante que o sábio Paulo (na carta aos Romanos) já descrevia!

Você decide.

Karol Guedes

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

a-mi-za-de


O valor da companhia: o valor da amizade...
é querer permanecer um bom tempo junto sem querer fazer nada
é sentir um impulso para fazer uma ligação e passar 50 minutos conversando sobre tudo, mais um pouco, e nada
É amizade.
é prestar um enorme favor à medida que se nega a fazer algo para si
perde-se ali, ganha-se aqui.
é preocupação, é cuidado, é discussão, é conselho, é riso... muito riso... é choro...
é muito
é bastante
é pouco tempo, ou muito
É amizade.
é confiança, é bem-estar, é compartilhar...
é dividir um pequeníssimo guarda-chuva debaixo de uma chuva forte...
é molhar-se por completo na chuva: perde-se a calça, mas não se perde o riso!
é revoltar-se pelo querer bem...
É...
amizade.

"I'll be there for you... tan nan nan nan nana..."

Karol Guedes.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Alma. A vida não pára. Calma. A vida é tão rara!

"Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida é tão rara..."

Isso me fez pairar um pouco... exatamente: pairar!
Através dessa pequena e imensa estrofe da música "Paciência" de Lenine, juntamente com uma boa dimensão do significado da palavrinha supracitada, buscarei dedilhar admiração por um indimensionável significado que outrora existira em ambas: confiança.

Minha vontade de ir fundo nessa música tornou-se um desafio, pelo fato de que ela é intrigante, profunda! É curioso brincar com o jogo de palavras, sentidos e significados que é provocado pela música, sempre! (e, quando falo "sempre", falo de música, não de barulho ou ruído ou balela melódica.)


Percebi que em "Paciência", Lenine tratou sobre o tempo.
Os primeiros versículos do capítulo 3 de Eclesiastes na Bíblia me sugerem a reflexão das fases da vida. De fato, há tempo certo para cada coisa.


Se não me engano, o músico tratou, também, sobre cura.
Basta pensar em sintomas de algumas doenças, para lembrarmos do efeito que a palavra "cura" pode manifestar em nós! (sintomas que o compositor citou como "mal" na 3ª estrofe da música.)

A cada instante musical dessa composição, os temas "tempo" e "fases da vida" são trazidos à tona para o ouvinte/leitor.

Como há tempo certo para cada coisa, prefiro ditar o momento deste texto como inviável para prontas definições. Por outro lado, momento amplamente desejável de construção subjetiva:

Como conseguiria uma águia sustentar-se suavemente no ar, com as asas abertas, se não fora a confiança inconscientemente biológica atuando no momento?
A águia paira, porque tem em suas asas o equilíbrio no movimento: parte interior levantada, parte exterior baixada e as pontas curvadas para cima.

Tento imaginar a sensação de pairar, literalmente, como a águia: me faltariam palavras para descrever a paz.

Há momentos (para não dizer 'nas fases da vida', repetidamente) em que precisamos de calma, paciência, cura: confiança no Autor de tudo isso! (com palavras devidamente grifadas, pois a confiança em si pode ser o motor do desequilíbrio.)
Você confiaria em alguém com quem não possui nenhum tipo de intimidade, nenhum tipo de afinidade?
Então, por que não confiar na pessoa que mais te conhece? Ele conhece mais a fundo do que você mesmo, pode acreditar: Ele te formou!

A calma, a paz, a cura, o conforto de alma, só Deus pode dar.

"Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize." [João 14:27]

Sabe, agora eu entendo porque Lenine insistentemente dizia: A vida é tão rara!
A vida, para ele, mereceria mais do que letras em caps locks, negrito e sublinhado.

Karol Guedes.


quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

cardiograma

Segurei-te com tanta força
na vontade de direcionar-te
os batimentos,
teu pulsar questionava e respondia
mistérios da alma.
tu, porém, enganoso atuara.
companheiro e distante
perto e corrupto
toca tufão,
teatro tanto,
és
tu, tu
toque
tu, tu
toque
tu, tu
toque


Karol Guedes

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Calem a boca, nordestinos!

A eleição de Dilma Rousseff trouxe à tona, entre muitas outras coisas, o que há de pior no Brasil em relação aos preconceitos. Sejam eles religiosos, partidários, regionais, foram lançados à luz de maneira violenta, sádica e contraditória.

Já escrevi sobre os preconceitos religiosos em outros textos e a cada dia me envergonho mais do povo que se diz evangélico (do qual faço parte) e dos pilantras profissionais de púlpito, como Silas Malafaia, Renê Terra Nova e outros, que se venderam de forma absurda aos seus candidatos. E que fique bem claro: não os cito por terem apoiado o Serra... outros pastores se venderam vergonhosamente para apoiarem a candidata petista. A luta pelo poder ainda é a maior no meio do baixo-evangelicismo brasileiro.

Mas o que me motivou a escrever este texto foi a celeuma causada na internet, que extrapolou a rede mundial de computadores, pelas declarações da paulista, estudante de Direito, Mayara Petruso, alavancada por uma declaração no twitter: "Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!".

Infelizmente, Mayara não foi a única. Vários outros “brasileiros” também passaram a agredir os nordestinos, revoltados com o resultado final das eleições, que elegeu a primeira mulher presidentE ou presidentA (sim, fui corrigido por muitos e convencido pelos "amigos" Houaiss e Aurélio) do nosso país.

E fiquei a pensar nas verdades ditas por estes jovens, tão emocionados em suas declarações contra os nordestinos. Eles têm razão!

Os nordestinos devem ficar quietos! Cale a boca, povo do Nordeste!

Que coisas boas vocês têm pra oferecer ao resto do país?

Ou vocês pensam que são os bons só porque deram à literatura brasileira nomes como o do alagoano Graciliano Ramos, dos paraibanos José Lins do Rego e Ariano Suassuna, dos pernambucanos João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira, ou então dos cearenses José de Alencar e a maravilhosa Rachel de Queiroz?

Só porque o Maranhão nos deu Gonçalves Dias, Aluisio Azevedo, Arthur Azevedo, Ferreira Gullar, José Louzeiro e Josué Montello, e o Ceará nos presenteou com José de Alencar e Patativa do Assaré e a Bahia em seus encantos nos deu como herança Jorge Amado, vocês pensam que podem tudo?

Isso sem falar no humor brasileiro, de quem sugamos de vocês os talentos do genial Chico Anysio, do eterno trapalhão Renato Aragão, de Tom Cavalcante e até mesmo do palhaço Tiririca, que foi eleito o deputado federal mais votado pelos... pasmem... PAULISTAS!!!

E já que está na moda o cinema brasileiro, ainda poderia falar de atores como os cearenses José Wilker, Luiza Tomé, Milton Moraes e Emiliano Queiróz, o inesquecível Dirceu Borboleta, ou ainda do paraibano José Dumont ou de Marco Nanini, pernambucano.

Ah! E ainda os baianos Lázaro Ramos e Wagner Moura, que será eternizado pelo “carioca” Capitão Nascimento, de Tropa de Elite, 1 e 2.

Música? Não, vocês nordestinos não poderiam ter coisa boa a nos oferecer, povo analfabeto e sem cultura...

Ou pensam que teremos que aceitar vocês por causa da aterradora simplicidade e majestade de Luiz Gonzaga, o rei do baião? Ou das lindas canções de Nando Cordel e dos seus conterrâneos pernambucanos Alceu Valença, Dominguinhos, Geraldo Azevedo e Lenine? Isso sem falar nos paraibanos Zé e Elba Ramalho e do cearense Fagner...

E Não poderia deixar de lembrar também da genial família Caymmi e suas melofias doces e baianas a embalar dias e noites repletas de poesia...

Ah! Nordestinos...

Além de tudo isso, vocês ainda resistiram à escravatura? E foi daí que nasceu o mais famoso quilombo, símbolo da resistência dos negros á força opressora do branco que sabe o que é melhor para o nosso país? Por que vocês foram nos dar Zumbi dos Palmares? Só para marcar mais um ponto na sofrida e linda história do seu povo?

Um conselho, pobres nordestinos. Vocês deveriam aprender conosco, povo civilizado do sul e sudeste do Brasil. Nós, sim, temos coisas boas a lhes ensinar.

Por que não aprendem conosco os batidões do funk carioca? Deveriam aprender e ver as suas meninas dançarem até o chão, sendo carinhosamente chamadas de “cachorras”. Além disso, deveriam aprender também muito da poesia estética e musical de Tati Quebra-Barraco, Latino e Kelly Key. Sim, porque melhor que a asa branca bater asas e voar, é ter festa no apê e rolar bundalelê!

Por que não aprendem do pagode gostoso de Netinho de Paula? E ainda poderiam levar suas meninas para “um dia de princesa” (se não apanharem no caminho)! Ou então o rock melódico e poético de Supla! Vocês adorariam!!!

Mas se não quiserem, podemos pedir ao pessoal aqui do lado, do Mato Grosso do Sul, que lhes exporte o sertanejo universitário... coisa da melhor qualidade!

Ah! E sem falar numa coisa que vocês tem que aprender conosco, povo civilizado, branco e intelectualizado: explorar bem o trabalho infantil! Vocês não sabem, mas na verdade não está em jogo se é ou não trabalho infantil (isso pouco vale pra justiça), o que importa mesmo é o QUANTO esse trabalho infantil vai render. Ou vocês não perceberam ainda que suas crianças não podem trabalhar nas plantações, nas roças, etc. porque isso as afasta da escola e é um trabalho horroroso e sujo, mas na verdade, é porque ganha pouco. Bom mesmo é a menina deixar de estudar pra ser modelo e sustentar os pais, ou ser atriz mirim ou cantora e ter a sua vida totalmente modificada, mesmo que não tenha estrutura psicológica pra isso... mas o que importa mesmo é que vão encher o bolso e nunca precisarão de Bolsa-família, daí, é fácil criticar quem precisa!

Minha mensagem então é essa: - Calem a boca, nordestinos!

Calem a boca, porque vocês não precisam se rebaixar e tentar responder a tantos absurdos de gente que não entende o que é, mesmo sendo abandonado por tantos anos pelo próprio país, vocês tirarem tanta beleza e poesia das mãos calejadas e das peles ressecadas de sol a sol.

Calem a boca, e deixem quem não tem nada pra dizer jogar suas palavras ao vento. Não deixem que isso os tire de sua posição majestosa na construção desse povo maravilhoso, de tantas cores, sotaques, religiões e gentes.

Calem a boca, porque a história desse país responderá por si mesma a importância e a contribuição que vocês nos legaram, seja na literatura, na música, nas artes cênicas ou em quaisquer situações em que a força do seu povo falou mais alto e fez valer a máxima do escritor: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte!”

Que o Deus de todos os povos, raças, tribos e nações, os abençoe, queridos irmãos nordestinos!


Por José Barbosa Junior.

Fonte: www.crerepensar.com.br